Google Ads9 min de leitura18 de junho de 2026

    Google Consent Mode 2026: O Que Muda para Afiliados

    A partir de 3 de agosto de 2026, o Google vai usar endereços IP para medição e personalização de anúncios no EEA (Espaço Econômico Europeu), Reino Unido e Suíça. Para afiliados que veiculam em plataformas internacionais como ClickBank, Digistore24 ou AdCombo — ou qualquer um com tráfego europeu — isso ativa uma obrigação de consentimento direta: sem CMP certificada pelo Google configurada corretamente, seus dados de conversão europeus ficam em risco.

    Consent Mode é o sistema do Google que transmite sinais de consentimento do usuário para todas as tags de Google Ads e Analytics. Ele define, via quatro parâmetros (ad_storage, analytics_storage, ad_user_data e ad_personalization), o que o Google pode coletar e usar com base na escolha de cada visitante. Sem Consent Mode configurado corretamente, o Google trata o usuário europeu como não consentido — e deixa de personalizar anúncios, construir listas de remarketing e registrar conversões com precisão para esse tráfego.

    O Que Muda em Agosto de 2026: IP para Personalização no EEA

    O Google já recebia endereços IP como subproduto de qualquer integração com sites e apps. O que muda em 3 de agosto é a finalidade: esses IPs passarão a ser usados para identificação de dispositivos e personalização de anúncios no EEA, Reino Unido e Suíça. Como IP é dado pessoal sob o GDPR, isso ativa obrigação de consentimento. O Google implementa três tecnologias de privacidade para viabilizar isso — mas elas não eliminam a necessidade do consentimento:

    • On-device processing — o processamento acontece no dispositivo do usuário, sem enviar sinais brutos a servidores externos
    • Trusted Execution Environments (TEEs) — enclaves de hardware isolados onde dados são processados sem exposição ao operador
    • Secure Multi-Party Computation (MPC) — computação conjunta entre partes sem que nenhuma acesse os dados brutos da outra
    • Registro no IAB TCF como Feature 3 — Google declara no framework europeu de consentimento que identifica dispositivos via sinais automáticos, incluindo IP; publishers com CMP TCF precisam garantir que o Feature 3 está sendo surfaceado para o vendor ID 755 (Google)

    A Mudança Que Já Aconteceu: ad_storage Como Único Controle (desde 15 de junho de 2026)

    Antes de agosto, já houve uma alteração crítica: desde 15 de junho de 2026, o parâmetro ad_storage no Consent Mode passou a ser o único controle do que o Google Ads recebe de dados. O Google Signals perdeu essa autoridade. Desativar o Google Signals — tática comum para limitar compartilhamento de dados com Ads — não funciona mais como proteção. A única alavanca que importa é o ad_storage, controlado pela sua CMP. Se sua CMP seta ad_storage como 'granted' por padrão para usuários EEA, você está enviando dados sem consentimento válido.

    Com ad_storage negado (usuário não consentiu), o Google Ads recebe apenas o parâmetro gclid da URL — nada mais. As consequências práticas: listas de remarketing param de crescer para tráfego EEA, rastreamento de conversão é interrompido, targeting por público cessa e o modelo de CPA perde sinal europeu. Quem usa CMP não certificada ou configurada apenas com Consent Mode v1 (dois parâmetros em vez de quatro) tem os mesmos problemas — o sinal não chega corretamente ao Google.

    Os Quatro Parâmetros do Consent Mode v2 Que Todo Afiliado Precisa Configurar

    Consent Mode v2 funciona com quatro parâmetros. Todos devem estar presentes na chamada de default (antes de qualquer interação do usuário) e na chamada de update (após a escolha). Para tráfego EEA, o default deve ser 'denied' para os quatro — atualizado para 'granted' somente após o usuário aceitar:

    • ad_storage — controla coleta e leitura de cookies de anúncio e identificadores de dispositivo; é o parâmetro-mestre desde 15 de junho de 2026
    • analytics_storage — controla coleta de dados de Analytics; deve seguir a mesma lógica do ad_storage para o EEA
    • ad_user_data — controla se dados de primeira parte (email, telefone) podem ser enviados ao Google para matching; sem ele, Enhanced Conversions não funciona corretamente
    • ad_personalization — controla se dados do Analytics podem ser usados para anúncios personalizados; quando consolidado sob o Google Ads (sem data definida), passa a ser o único controle de personalização

    O Que É uma CMP Certificada pelo Google

    CMP (Consent Management Platform) é a ferramenta que exibe o banner de cookies, coleta a escolha do usuário e transmite os sinais corretos para o Consent Mode. CMPs certificadas pelo Google garantem que os quatro parâmetros do Consent Mode v2 são setados corretamente e respeitam as regras de cada jurisdição — denied por padrão para EEA, opt-out para outros mercados. Exemplos de CMPs certificadas: Cookiebot, OneTrust, Usercentrics, UniConsent, CookieHub, Consentmanager. CMPs não certificadas ou que implementam apenas Consent Mode v1 deixam lacunas críticas no sinal que chegam ao Google.

    Afiliados com Consent Mode v2 corretamente configurado ativam a modelagem de conversão do Google: o algoritmo estima resultados dos usuários que recusaram o consentimento com base nos padrões dos que aceitaram. Sem esse setup, conversões de usuários EEA não consentidos simplesmente desaparecem das métricas — sem nenhuma estimativa de compensação.

    O Impacto Direto no Rastreamento de Conversões e o AdsTracking

    Para afiliados que usam AdsTracking para rastrear vendas em plataformas como ClickBank, Digistore24, Hotmart ou Monetizze, a regra é clara: as tags de rastreamento devem disparar somente após a transmissão do sinal de consentimento pelo Consent Mode. Se o AdsTracking dispara antes que o ad_storage seja definido, o evento de conversão é processado sem o contexto correto de consentimento para tráfego EEA. A sequência correta: CMP define o default de ad_storage → usuário interage com o banner → CMP chama o update do Consent Mode → AdsTracking dispara com o contexto correto.

    Checklist: O Que Verificar Antes de 3 de Agosto de 2026

    Se você veicula campanhas com qualquer volume de tráfego europeu:

    • Confirme que sua CMP é certificada pelo Google e suporta Consent Mode v2 com os quatro parâmetros — CMPs de Consent Mode v1 (dois parâmetros) são insuficientes
    • Abra seu site em janela anônima antes de tocar no banner e verifique: ad_storage deve estar como 'denied' para tráfego EEA — qualquer 'granted' como default antes do consentimento é violação
    • Se você usa CMP com TCF, confirme que o Feature 3 do IAB está sendo surfaceado para o vendor ID 755 (Google) na interface de consentimento — contate seu fornecedor de CMP antes de 3 de agosto
    • Verifique que todos os quatro parâmetros (ad_storage, analytics_storage, ad_user_data, ad_personalization) estão presentes nas chamadas de default e update
    • Garanta que as tags de tracking disparam somente após o update do Consent Mode — nunca antes da resposta do usuário ao banner
    • Cubra todas as páginas críticas: landing page, página de confirmação de compra e qualquer subdomínio com tags do Google

    Perguntas Frequentes sobre o Consent Mode e a Atualização de Agosto de 2026

    Afiliados que anunciam apenas para o Brasil precisam se preocupar com isso?

    Diretamente, não — o GDPR não se aplica ao Brasil, e a LGPD tem lógica diferente para consentimento em publicidade. Mas se sua conta do Google Ads recebe qualquer tráfego de países europeus (mesmo acidental), as novas regras se aplicam a esses usuários. Além disso, Consent Mode v2 é uma boa prática global que melhora a qualidade do sinal de conversão para todos os mercados, incluindo o Brasil.

    O que acontece se eu não configurar a CMP antes de 3 de agosto?

    O Google não suspende suas campanhas, mas deixa de personalizar anúncios, construir listas de remarketing e registrar conversões com precisão para usuários europeus que não consentiram. Para campanhas com Performance Max ou Target CPA em mercados europeus com altas taxas de recusa de cookies — Alemanha, França, Países Baixos — o impacto na performance pode ser expressivo e não vai aparecer como erro, vai aparecer como queda silenciosa de resultados.

    Qual a diferença entre ter política de privacidade na landing page e ter Consent Mode?

    São camadas distintas. Política de privacidade é um documento legal que informa o usuário sobre coleta de dados. Consent Mode é a implementação técnica que transmite a escolha do usuário para as tags do Google em tempo real. Você pode ter a política perfeita e mesmo assim não ter Consent Mode — nesse caso, o Google não recebe o sinal de consentimento e trata o usuário como não consentido, independentemente do que o documento diz.

    A modelagem de conversão compensa totalmente a perda de dados de usuários que recusam?

    Parcialmente. A modelagem de conversão do Google estima resultados de usuários não consentidos usando padrões dos que aceitaram — mas ela exige um volume mínimo de sessões consentidas para produzir estimativas confiáveis. Em mercados europeus com altas taxas de recusa e contas menores, esse volume pode não ser atingido, e a modelagem se torna imprecisa. Por isso, maximizar consentimentos válidos continua sendo mais importante do que confiar na modelagem.

    Conclusão

    A atualização de agosto de 2026 torna operacional o que já estava previsto: IP é dado pessoal na Europa, e usá-lo para personalização requer consentimento válido. Para afiliados com tráfego europeu, a consequência é direta — sem CMP certificada e Consent Mode v2 configurado com os quatro parâmetros, o rastreamento de conversões e o targeting europeu ficam degradados. AdsTracking cuida da precisão técnica dos eventos de conversão, mas ele depende de um contexto de consentimento correto para funcionar dentro das regras para usuários do EEA.

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